Arquivo paraAbril 19, 2008

Uma promessa

Cada vez que ouço essa voz,
As saudades apertam,
A minha alma cai a soluçar,
Perdida, numa dolorosa angustia,
O frio percorre o meu corpo,
E sinto falta desse abraço,
Que me aquecia nas tardes de vento,
E noites geladas;
As lágrimas teimam em cair pelo rosto,
E os meus olhos fecham-se para não ver,
Tento concentrar todos os sentidos,
Na memória do teu toque,
No sorriso maroto e ingenuo dos teus lábios,
E na ternura dos teus olhos;
E assim a tristeza desaparece,
Pois a promeça do reencontro ainda arde no coraçao.

                                                            by: girassol

Para que crescer?

   Já lá vai o tempo, embora nem assim tanto , mas as recordações já estão varidas da memória, mas nem todas foram apagadas, apenas algumas, talvez menos importantes é que foram guardadas debaixo do tapete, movidas pela preguiça de as arrumar num local mais próprio.                                                               
  Já a minha avó dizia:
  – Estas crianças nascem cansadas, vê-lá se foges á regra.
  Mas já nessa altura eu não ouvia a voz dos mais velhos, não adiantava de nada tentar compreender aquelas palavras complicadas, que nem queria saber o significado. O que eu gostava era das brincadeiras, do meu “pequeno grande” amigo e dos nossos passeios no campo. Saudades, era tudo tão facil! eu e o meu “pequeno grande” amigo a brincar tardes e tardes a fio; ninguém sabia, talvez nem nós próprios nos apercebecemos, eramos namorados, namorados de infância. Não conheciamos mais ninguém como nós, só nos tinhamos um ao outro, e ás tardes quentes de Verão, andavamos sempre juntos, quem nos visse dizia que eramos irmãos, mas não eramos, eu e o meu “pequeno grande” amigo não eramos irmãos, eramos namorados e sem saber.
   Um dia agarrou uma argola das tampas de garrafas de água e colocou na minha mão, já não me lembro do dedo, mas não me importa, pois o meu “pequeno grande” amigo tinha-me pedido em casamento, tal como tinha visto na televisão, naquelas novelas baratas que nos fazem colar ao ecrã; e agora eramos noivos, mas não sabiamos o que isso era. Claro que nao deixamos de agir como crinaças que eramos. Eu a menina timida e inocente, ele um rebelde de sorriso malandro e boné ao lado, aquele sorriso não enhanava ninguém, mil e uma histórias de disparates.
  Ainda me lembro do dia em que enleou um carrinho de linhas em volta da minha cabeça, ignorância a minha, fui a correr ter com a minha avó, que nao tardou a cortar os fios e a dizer:
  -Ai esta rapariga, aprende a defender-te, não podes deixar que isto te aconteça.
  No dia seguinte lá vem ele com um frasco de prefume para me pôr, lembro-me do aviso de minha avó, e lá vai um banco da cozinha a voar contra o meu “pequeno grande” amigo, fui um pouco má, talvez o aroma não me tenha agradado.
  Mesmo assim, continuamos a brincar e a passear juntos, claro para não falar dos lanches partilhados, como se fossemos namorados, noivos. É facil perdoar quando somos pequenos.
   O tempo passou e ambos crescemos, fomos afastados aos poucos, á pouco tempo estivemos juntos, não me reconheceu, sabia de uma “pequena grande” amiga, do seu nome, e das suas hitórias, mas não do seu rosto de menina ingénua. Ai pensei: “que saudades dos meu 4 anos, quando tudo era mais facil”
  Desde então tenho uma questão na minha mente: ” Porque crescer se isso nos tira aquilo que mais gostamos?”

por, girassol, in caderno de portugues :P