Nossa historia de crianças acabou

Sinto-me perdida;

Tão só

Tão triste

Tão infeliz

Mas que posso eu fazer?

A vida já é feita de desilusões

Por si só…

És tu, sou eu

Somos nós…

E a vida continua

Sem valer a pena olhar para trás

E pensar no que podíamos ter feito

Mas não fizemos

Esquecemo-nos que o tempo existia

E ele não parou

Não esperou por nós

Continuou

Seguiu em frente

Tudo ficou para recordações

De momentos impossíveis
Já mais realizados

Já mais vividos

E nunca mais pensados

Simplesmente morreram quando o tempo acabou

Quando o nosso tempo acabou

Sim acabou

Cruelmente e sem piedade

Foi-se e deixou a sua marca

Marca essa cheia de dor

Cheia de ressentimento

Cheia de Frieza…

E cada um seguiu o seu caminho

Sem nos lembrarmos dos bons momentos antes passados

E agora esquecidos só porque alguém se meteu no meio

E te encurralou nas suas garras

Enfeitiçando-te

Fazendo-te perder de amores por si mesmo

Mas agora acabou não sofro mais

Não, não

Arrependo-me do que não fiz

Mas vou seguir em frente

Seja mesmo sem ti

É melhor assim

Sim é muito melhor assim

Mas quando te lembrares de mim e de tudo aquilo que já fomos

Eu já não vou estar cá para te receber

Pois tal como o tempo disse “a Vossa historia de crianças acabou”

                                                 by:girassol

sera que vai ser amanha?

Tudo pode acontecer;
aqueles momentos,
quando os teus olhos claros se fundem nos meus escuros,
trocamos segredos que mais ninguem conhece,
pensamentos conjuntos,
mais ningum sabe só nós,
fechamos os olhos e sonhamos,
sonhamos como mais ninguem sonha,
como mais ninguem sabe,
só eu… só tu…
entregamos-nos á loucura sem dizer uma palavra ,
deixamos que os nossos sentimentos falem por nós,
e nao existe mais nada,
nao ha vida depois do amanha,
só ha o hoje,
só ha o presente,
e entao?
vamos continuar a olhar fixamente nos olhos um do outro?
á procura de gestos comprometedores?
á espera de um mero sinal?
ou vamos falar?
será que vamos perder aquilo a que chamamos vergonha,
e mostrar aos outros aquilo que sempre escondemos?
e agora eu pergunto:
AMANHÃ É UM NOVO DIA SERÁ QUE FINALMENTE NOS VAMOS FALAR?
(como amigos… como namorados)

 

                                                                                                      by: girassol, in questoes do meu ser

Uma promessa

Cada vez que ouço essa voz,
As saudades apertam,
A minha alma cai a soluçar,
Perdida, numa dolorosa angustia,
O frio percorre o meu corpo,
E sinto falta desse abraço,
Que me aquecia nas tardes de vento,
E noites geladas;
As lágrimas teimam em cair pelo rosto,
E os meus olhos fecham-se para não ver,
Tento concentrar todos os sentidos,
Na memória do teu toque,
No sorriso maroto e ingenuo dos teus lábios,
E na ternura dos teus olhos;
E assim a tristeza desaparece,
Pois a promeça do reencontro ainda arde no coraçao.

                                                            by: girassol

Para que crescer?

   Já lá vai o tempo, embora nem assim tanto , mas as recordações já estão varidas da memória, mas nem todas foram apagadas, apenas algumas, talvez menos importantes é que foram guardadas debaixo do tapete, movidas pela preguiça de as arrumar num local mais próprio.                                                               
  Já a minha avó dizia:
  - Estas crianças nascem cansadas, vê-lá se foges á regra.
  Mas já nessa altura eu não ouvia a voz dos mais velhos, não adiantava de nada tentar compreender aquelas palavras complicadas, que nem queria saber o significado. O que eu gostava era das brincadeiras, do meu “pequeno grande” amigo e dos nossos passeios no campo. Saudades, era tudo tão facil! eu e o meu “pequeno grande” amigo a brincar tardes e tardes a fio; ninguém sabia, talvez nem nós próprios nos apercebecemos, eramos namorados, namorados de infância. Não conheciamos mais ninguém como nós, só nos tinhamos um ao outro, e ás tardes quentes de Verão, andavamos sempre juntos, quem nos visse dizia que eramos irmãos, mas não eramos, eu e o meu “pequeno grande” amigo não eramos irmãos, eramos namorados e sem saber.
   Um dia agarrou uma argola das tampas de garrafas de água e colocou na minha mão, já não me lembro do dedo, mas não me importa, pois o meu “pequeno grande” amigo tinha-me pedido em casamento, tal como tinha visto na televisão, naquelas novelas baratas que nos fazem colar ao ecrã; e agora eramos noivos, mas não sabiamos o que isso era. Claro que nao deixamos de agir como crinaças que eramos. Eu a menina timida e inocente, ele um rebelde de sorriso malandro e boné ao lado, aquele sorriso não enhanava ninguém, mil e uma histórias de disparates.
  Ainda me lembro do dia em que enleou um carrinho de linhas em volta da minha cabeça, ignorância a minha, fui a correr ter com a minha avó, que nao tardou a cortar os fios e a dizer:
  -Ai esta rapariga, aprende a defender-te, não podes deixar que isto te aconteça.
  No dia seguinte lá vem ele com um frasco de prefume para me pôr, lembro-me do aviso de minha avó, e lá vai um banco da cozinha a voar contra o meu “pequeno grande” amigo, fui um pouco má, talvez o aroma não me tenha agradado.
  Mesmo assim, continuamos a brincar e a passear juntos, claro para não falar dos lanches partilhados, como se fossemos namorados, noivos. É facil perdoar quando somos pequenos.
   O tempo passou e ambos crescemos, fomos afastados aos poucos, á pouco tempo estivemos juntos, não me reconheceu, sabia de uma “pequena grande” amiga, do seu nome, e das suas hitórias, mas não do seu rosto de menina ingénua. Ai pensei: “que saudades dos meu 4 anos, quando tudo era mais facil”
  Desde então tenho uma questão na minha mente: ” Porque crescer se isso nos tira aquilo que mais gostamos?”

por, girassol, in caderno de portugues :P